terça-feira, 14 de novembro de 2006

Opiniões...

Vou falar de coisas que habitualmente não comento.
Devia. Sou católica, sou praticante. A minha posição devia ser muito mais presente, muito mais transparente mas, só para não entrar em disputas que não levam a lado nenhum, raramente me pronuncio sobre estes assuntos. O que faço é errado sob o ponto de vista da minha prática, do que defendo, eu assumo.

As pessoas têm todas o direito às suas opiniões mas quando me tentam puxar para assuntos apenas para me confrontarem, para gozarem, para ‘me apanharem em falso’, raramente me levam no seu barco. Não tenho paciência. Não sinto que me tenha de justificar. Não me pronuncio.
Se não acreditam e vêm ter comigo com perguntas do género: Sabias que Jesus tinha uma namorada? Que tinha irmãos? Que era vegetariano? não levam nada. Não é a Boa Nova que procuram…

Oito anos. Oito anos depois e está de novo aí a proposta de um referendo sobre o aborto.
Esta proposta já foi rejeitada anteriormente mas como a percentagem de opiniões expressas não foi suficiente para tornar a escolha do eleitorado constitucionalmente irreversível 'voltou-se à carga'. Mas voltou-se de forma tendenciosa, o que assistimos actualmente nos órgãos de informação não é informação, é propaganda.
A lei actual foi votada no Parlamento português e era a lei desejada pelos mesmos que hoje já querem outra coisa. Não há razão nenhuma para mudarmos de lei como quem muda de camisa até porque não há, neste domínio, nenhuma alteração que justifique a necessidade de mudança. A lei actual é bastante flexível na possibilidade de aborto que não criminaliza já que refere que não é crime o aborto praticado:
-No caso de malformação do feto ou doença grave (o aborto pode ser realizado até às 24 semanas);
-No caso do feto ser inviável (não há limite de tempo);
-No caso de perigo de vida para a mãe (não há limite de prazo se for a única forma de remover perigo de morte ou de lesão grave e irreversível para o corpo ou para a saúde psíquica da mulher grávida);
-No caso de violação (até às 14 semanas) e,
-No caso de menores de 16 anos ou incapazes por anomalia psíquica (até às 22 semanas).
Além disto, a legislação portuguesa prevê a possibilidade de acesso livre (sem receita médica) à pílula do dia seguinte, que é (também) abortiva.

O aborto NÃO é uma questão política, é uma questão de direitos fundamentais. O respeito pela vida é o principal fundamento da ética. As leis têm como função promoverem a prática do respeito pela vida e não a promoção da morte. Os direitos fundamentais por que nos regemos consagram à vida a maior importância possível e por isso a referem em primeiro lugar, salvaguardando o seu valor acima de qualquer outro (Artº 2 – Todas as pessoas têm direito à vida, ninguém pode ser condenado à pena de morte nem ser executado; Artº 3 – Todas as pessoas têm direito ao respeito pela sua integridade física e mental; etc.).

Alguns atribuem-lhe o pomposo nome de interrupção voluntária da gravidez mas é um eufemismo. Se fosse possível interromper a gravidez da mãe sem destruir a vida do filho a Igreja não se oporia, ninguém se oporia... Não me venham com tangas e desculpas pois o que se pretende efectivamente é pôr termo a uma vida nascente, não é ter em consideração a situação económica da futura mãe. Uma vida à qual o corpo que a recebe tem particular obrigação de proteger e defender. E, se legalmente, as injustiças são tanto maiores quanto maior fôr a diferença (económica ou social) entre duas partes o que dizer então se uma das partes nem pronunciar se pode?!
O aborto NÃO é um direito da mulher. A mulher tem o direito de decidir se concebe ou não, se tira os pêlos ou não, se faz dieta ou não, se apanha sol ou não, se remove um sinal ou não, se faz uma lipoaspiração ou não, se se embebeda ou não. A morte não é uma opção. Matar não uma é opção.

Afinal uma sociedade deve escolher defender a vida ou legalizar a morte?
A prioridade dos nossos serviços de saúde deve ser fazer abortos antes que passem as 10 semanas (corre, despacha-te!) ou operar quem se encontra entre a vida e a morte e em listas de espera há que tempo?
Matar ou dar prioridade à saúde?
O dinheiro dos contribuintes deve servir para apoiar as mães solteiras ou para sustentar os abortos?

Tenham paciência! Não há DOIS lados da questão!
A vida é uma dávida.
A vida não é referendável.

25 Sementes:

sophia 8:19 da tarde  

(olha,.. ninguém se pronunciou, estão todos com medo que lhes batas!! just kidding... eu vou comentar, e vou em parte discordar de ti, mas gosto muito de ti na mesma e tu sabes isso - não quero provocar te nem atacar a tua religião, sabes que eu não o faria)

eu vou votar a favor no referendo, e acho que o prazo devia ser até às 12 semanas.

- se eu sou a favor do aborto? não, claro que não!
- se era capaz de fazer um aborto? actualmente já não, se fosse adolescente, provavelmente. dependeria de como estivesse socio-financeira e psicologico-emocionalmente, não sei. se o fizesse seria sempre com grande sofrimento. físico, pelo procedimento em si (que dizem ser horrivel) e emocional, incontornavel.

vou votar sim porque o nosso sistema penal baseia-se na ressocialização - a nossa utopia e objectivo é que a prisão seja uma forma de "educar" e inserir socialmente quem para lá vai. e uma mulher que aborta não vai ganhar absolutamente nada em ir para a prisão, nem a sociedade com isso. ao contrário do que muita gente pensa, a justiça portuguesa (europeia, aliás) não é uma justiça de castigo, essa ideia é rejeitada pela constituição, etc etc. logo, a mulher que aborta tem o que se chama "carência de pena", e por conseguinte faz sentido a despenalização. não se diz que é legal, apenas que não é crime.

tudo bem, eu admito que isto é tudo balela juridica, eu sei que é. mas o que está em causa não é a moralidade do aborto, porque não há nenhuma moralidade nisso. apenas se discute o que fazer juridicamente a uma mulher cuja contracepção falhou ou não existiu, e que decide não ter a criança, num estádio de evolução do feto ainda muito precoce. é assassina? ok, será. é criminosa? é perigosa? se for para a prisão e voltar a engravidar, já não vai abortar? duvido muito. e é por isso que vou votar sim.

e não nos enganemos: não vai haver liberdade de decisão por parte da mulher tal como ela é apregoada. no ano passado eu estudei na faculdade esta mesma proposta de lei, e haverá sempre uma comissão que vai avaliar se a mulher quer mesmo abortar, ou seja, vão criar se burocracias à volta disto e o parecer da dita comissão pode ser mais forte que o «eu quero» da mulher.

quanto a isto ser feito no sns, com dinheiro dos contribuintes e em detrimento de outras cirurgias... é muito mau. é a unica coisa que verdadeiramente condeno nesta questão.

Witchie 9:36 da tarde  

Eu concordo até certo ponto: a vida não é referendável. Mas o direito de escolha e de opinião é. Eu não sou a favor do aborto mas quem sou eu para decidir pela senhora com 4 filhos e que o marido insiste em violar (sim, que relações forçadas dentro do casamento também constituem violação), sem que o sistema de justiça faça seja o que for por ela, e que governa a casa com o salário mínimo nacional? Eu não tenho o direito de ser hipócrita ao ponto de lhe impôr a decisão que eu acho correcta.
Por isso também vou votar sim - não porque seja a favor do aborto, mas porque sou a favor da liberdade de escolha e de decisão.

PA 8:39 da manhã  

sophia: penso que esta questão não trata de uma mera 'despenalização' mas sim de uma 'liberalização legalizada' pois, a ser aprovada, vai criar um direito cívico, de recurso às instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com o dinheiro dos cidadãos. Penalizar ou despenalizar o aborto é uma questão de Direito Penal. A Igreja nunca fez disso uma prioridade na sua defesa da vida porque pensa (concorda, aceita, apoia) que as mulheres que passam por essa provação precisam mais de um tratamento social do que penal. Elas precisam de ser ajudadas e não condenadas [a ti, nem vale a pena falar-te da parábola da mulher adúltera, pois não? :)]

witchie: tu conheces bem essa realidade, decerto já te confrontaste diversas vezes com ela no teu percurso profissional mas a contracepção existe, essa sim é uma opção, e é gratuitamente distribuída pelos centros de saúde, a instituição a que tenho a certeza que a 'tua' mulher de 4 filhos recorre quando lhes pretende prestar assistência médica (ou de vacinação) e apenas tem o ordenado mínimo.

Atenção que eu não estou a desprezar as vossas opiniões. Se o quisesse fazer tinha feito um post sem possiblidade de comentários. O que eu acho é que não é justo fazer-se uma campanha tendenciosa e de desinformação da opinião pública.
Eu não faço disto cavalo de batalha, a minha posição é de serenidade, com respeito e de grande amor à Vida. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados em referendo, a ser aprovada, traduz-se numa degenerescência da própria lei. É função das leis promoverem o respeito pela vida. A vida é sagrada. Não me venham com histórias de limites de 10 semanas, 12, 15, 20...

E eu também podia contrapôr com o outro lado e raramente o faço. O lado de quem os queria ter e não consegue; o lado de quem espera anos por uma adopção; o lado de quem adoptou e espera anos que ela se torne definitiva; e o lado de quem já abortou (espontânea ou conscientemente) e tem feridas na alma para sempre.

Flor 12:18 da tarde  

Falas da contracepção, mas é impressão minha ou a Igreja condena o uso de métodos contraceptivos? Até hoje não A ouvi incentivar ao seu uso, prevenindo assim a medida extrema do aborto. E qual é a posição da Igreja quanto aos abortos considerados legais? Penso que não não concorda com eles, pois não? Afinal somos todos filhos de Deus, verdade?
Como tu bem deves saber, existem muitas pessoas que engravidam sem mais nem menos, que não sabem o que é um preservativo, uma pílula, depois, como o aborto é ilegal em Portugal, excepto nos casos que indicaste, a mulher leva a gravidez até ao fim, fazendo depois o que eu considero que é realmente um assassínio: põe o bebé numa sanita, atira-o para um contentor do lixo, atira-o para um poço, estrangula-o, etc., etc. Existem imensos casos destes que poderiam ser evitados se a mulher pudesse abortar, que eu acho que é mil vezes preferível.
Ou então tem a criança, não tem meios para cuidar dela e atira-a para uma qualquer instituição onde, muitas vezes, ela vai ser utilizada e abusada sabe-se lá por quantas pessoas. Sim, porque o nosso sistema de adopção funciona tão bem que a maioria das crianças nunca chega a ser adoptada por causa da lei da adopção do nosso país e da "pouca" burocracia que existe.
Acho que bem que defendas a tua opinião, mas não acho que a coisas sejam assim tão simples como as expões.
Eu vou votar sim, como já votei anteriormente. Não porque concorde com o aborto em si, mas eu acho que é um direito da mulher, sim, decidir o que fazer. Há uns anos atrás, ainda antes da existência da pílula do dia seguinte, se engravidasse, não sei se quereria ter a criança, e gostava de saber que teria essa opção. O que para mim está em causa é a opção, o facto de fazermos algo porque queremos e não porque somos obrigadas.
E Catarina, os contaceptivos não são infalíveis, só há um meio de realmente não engravidares, o celibato.

Flor 12:22 da tarde  

Ah! Li agora outra coisa. Nunca compreendi como é que havendo tantos miúdos para adopção, as pessoas preferem passar anos e anos a fazer tratamentos de fertilidade para ter uma crinça biológica. A sério, isso escapa-me.
Há o exemplo de um casal socialite qualquer - sim, eu leio revistas cor-de-rosa :-p -, cheio de dinheiro, que andou a fazer tratamentos anos e anos, e a mulher engravidou aos 52 anos. Ora isso não cabe na minha cabeça, ainda mais sendo pessoas de posses, poderiam ter ajudado imensas crianças :( E aos 52 anos? Mais tem idade para ser avó.

Flor 12:25 da tarde  

E tens razão numa coisa, o que os media têm vindo a fazer é propagnada pura. No referendo anterior não se viu nada disto.
E concordo também com outra coisa, já se tinha feito um referendo e a decisão já tinha sido tomada, não se vai fazer outro só porque não se gostou dos resultados. Isso não é democracia.
Desculpa lá o número de posts, é que me vou lembrabdo de coisas :p

fantasma 12:30 da tarde  

Eu digo o que um colega meu me disse há uns dias: não sou a favor do aborto mas sou a favor de que se possa fazê-lo, e para mim não havia sequer referendo, devia ser feita a lei na Assembleia e nada mais, até.

Discordo de campanhas, a favor ou contra.

Respeito completamente opiniões contrárias à minha (desde que não me tentem impô-las à força...) e aceito e entendo tudo o que disseste, só não me fales da Igreja porque aí já se me eriçam os cabelitos todos... Dado que nem aceitam que se tome a pílula, quem são "eles" para virem depois dizer se se pode ou não fazer um aborto? Mas isso é outro assunto, e não vale a pena entrar por aí :)

O que queria dizer é que acho que as mulheres não fazem abortos como método contraceptivo. Quem o faz não é uma mulher, é uma coisa, e essas também são geralmente as que têm dinheiro para irem fazer o aborto em Espanha....

Como diz a Witchie, a 'sua' mulher, q dizes que pode ir ao centro de saúde... Pode, pode estar a tomar a pílula, que como sabemos não é 100% segura e se vier o marido a forçá-la duvido que vá usar um preservativo.
E quantas mulheres engravidam sem querer, não querem a criança, não gostam dela quando nascem (e não me venham dizer que as mães amam sempre os filhos), e a criança é totalmente infeliz e sabe-se lá que mais, abandonada, etc. Isso é viver? Isso é uma vida que valha realmente a pena? Na minha opinião, pode não ser.

Enfim, provavelmente as pessoas deviam eram ter cuidado e garantir que não engravidam se não querem.

fantasma 12:33 da tarde  

Acho que a Flor disse muito melhor que eu o que me vai pelo pensamento :)

PA 1:37 da tarde  

Flor, eu comecei por dizer que exprimia uma opinião, a minha. Independentemente de poder ou não estar relacionada com questões religiosas é uma posição pro-vida. Eu também faço controlo artificial da natalidade, serão contas que prestarei, é um problema de consciência meu. O que não posso é aceitar que se desvie o assunto para questões que não têm a ver directamente com o ponto fulcral e esse, digam o que disserem é o poder de acabar com uma vida. Não me venham dizer que vamos votar por um sim ao aborto porque a igreja não autoriza o uso da pílula ou porque os não desejados são deixados no caixote.
E vai-te lembrando de coisas à vontade :)

sophia 2:43 da tarde  

a questão para nós é a vida, quer eu vote sim e tu votes não ou façamos parte da abstenção - tu realças mais a vida do filho que em caso de aborto terá morte física, eu realço mais a vida da mãe que também poderá morrer no aborto, e que irá morrer um pouco emocional e psicologicamente (ou seria uma "coisa", das que vão a espanha, concordo)

o que eu estava a tentar dizer, e afinal não me expressei bem, e que acho isto tudo muito hipócrita: o sistema jurídico (por algumas - muitas - razoes não quero fazer parte dele, não consigo fazer parte dele apesar de ter a licenciatura concluida e de sentir pressões sociais para exercer. mas não quero nem consigo contribuir para algo tão falso) manipulado pela política, e a comunicação social.

o referendo é feito para desviar a atenção do povo para esta questão, e a pergunta, a leri, o número de semanas, etc... não estão baseados em humanidade, são, a meu ver, mais artifícios do que outra coisa.

vai se criar um direito a abortar no serviço nacional de saude? já disse que essa é a parte que não concordo, mas também não seria viável de outra forma porque a mulher que mais vai usar não poderá pagar de outra forma noutro sitio.

e os abortos são feitos na mesma - prender a mulher não vai evitar nada, do meu ponto de vista. até agora não evitou...

se eu estivesse decidida a abortar, o meu medo não era a prisao... era a operação correr mal.

sophia 2:45 da tarde  

e essa pergunta de «a ti, nem vale a pena falar-te da parábola da mulher adúltera, pois não?» tem muito que se lhe diga, dona PA!!!

claro que percebi ;P mas olha que juntar "mulher adúltera" e "a ti" na mesma frase pode ser considerado ofensivo!!! LOL

PA 2:52 da tarde  
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
PA 2:58 da tarde  

Eu sei que tu percebeste perfeitamente. Eu não estava a associar a tua pessoa e a mulher adúltera, eu estava-te a associar a ti e a parábola. Tu conheces o significado do perdão e a posição da Igreja quanto a isso.
Mas volto a referir que as minhas não são ideias fundamentadas apenas religiosamente, são valores, são o facto de não concordar com o querer-se tornar legal o que não é moral.

Flor 3:11 da tarde  

No meio de uma discussão tão séria, esta - "claro que percebi ;P mas olha que juntar "mulher adúltera" e "a ti" na mesma frase pode ser considerado ofensivo!!! LOL" - provocou-me uma grande gargalhada.

C., claro que depois vem a discussão do costume, a partir de quando é que o embrião é considerado como um ser humano, uma vida? Cá para mim, por muito que digam, eu acho que é logo a partir do momento da concepção. daó não gostar nada do método anticoncepcional designado por DIU, que é uma método abortivo.

De resto, podemos ficar aqui a discutir isto durantes meses e não chegar a conclusão nenhuma. Este é um assunto com pano para mangas e eu penso que não há uma solução ideal, por muito que queiramos :(

Flor 3:12 da tarde  

daó ---> daí

fantasma 4:18 da tarde  

Eu apesar de ter andado na catequese não sei se me lembro o que era isso da parábola da mulher adultera... Podes explicar aqui às tontinhas ;op
E também me ri!! :)

Quanto ao "a partir de quando é que o embrião é considerado como um ser humano, uma vida?", eu acho que a minha opinião parte muito daí, porque ao contrário da Flor, não considero que seja desde a concepção. Erro meu, provavelmente. São coisas que temos na cabeça...

NCD 4:38 da tarde  

PA, antes de mais queria agradecer-te um post tão sereno. Esta serenidade é muito necessária, sobretudo com tanto ruído a aparecer.


Gostava de comentar alguns pontos do que aqui tem sido dito.

Também a mim me parece que o facto de seres católica não é propriamente o que releva na tua posição: se fosses protestante, muçulmana ou de qualquer outra confissão ou religião, a tua posição não seria diferente. É difícil pensar em algum assunto sobre o qual as religiões estejam tão de acordo como este.

Por outro lado, mesmo que não professasses qualquer religião a tua posição poderia ser a mesma porque ela não se alicerça numa particular crença ou fé.

Neste sentido tentar colocar em causa essa posição pela referência a posições da Igreja Católica me parece um pouco estranho. Mesmo que essa posição tenha ver com contraceptivos. Não me vão dizer que alguém deixa de usar contraceptivos porque a Igreja proíbe e vai abortar a seguir, apesar da Igreja proibir... Mas muito haveria para dizer sobre contracepção, que poderá ficar para outra altura.

Quanto ao argumento da sophia de que a função do direito penal é a ressocialização, é verdade que o é, mas não é essa a única função. O direito penal tem também uma função valorativa e uma função preventiva. Em nenhum destes casos há uma "justiça de castigo", como fala a Sophia. De qualquer forma, parece-me que este argumento é aplicável a todo o Código Penal e não apenas ao aborto.

Diz ainda a Sophia que com a "espenalização não se diz que é legal, apenas que não é crime".
Porém, a pergunta sobre a qual nos querem consultar inclui o "estabelecimento legalmente autorizado", ou seja, o estabelecimento a quem o nosso Estado deu autorização para fazer este tipo de intervenção. E de aborto legal que estamos a falar.

Finalmente, sophia, gostava de saber porquê as 12 semanas. Gostei que tivesses dito que o prazo devia ser 12 semanas, mas não percebi porquê: porquê as 10, as 12, as 16, as 24 ou as 36. Que linha é essa que tu viste e eu por mais que me esforça - e acredita que me tenho esforçado - não vejo?

Quanto ao pagamento das intervenções pelo SNS, olha que é mesmo assim. É isso mesmo que está em causa. Repara no último parágrafo deste artigo: http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1276339

Já quanto ao que diz a Witchie, parece-me que o caso que tu referes é um caso de violação. Esse caso está despenalizado pela actual lei. Ou entendi mal?

ó Flor, gostei de ler que "os contaceptivos não são infalíveis, só há um meio de realmente não engravidares, o celibato." Era óptimo que ouvissemos mais vezes essa informação, quando se fala de preservativos. Até hoje só me lembro de ouvir duas entidades defender isto: tu e a Igreja Católica! :D Eu prefiro outra formulação: so há um meio de não engravidar: é não fazer nada de onde possa resultar uma gravidez.

Sophia, disseste ainda "os abortos são feitos na mesma - prender a mulher não vai evitar nada" Continuo a dizer, isto é aplicável a todo o Código Penal e dava muito jeito se fosse aplicado às multas: como continuamos conduzir em excesso de velocidade, legaliza-se essa condução, a mesma coisa para o cinto, a mesma para o uso de telemóvel...

Quanto à prisão da mulher... depende. Como em todos os crimes há circunstâncias e circunstâncias. Isto é do domínio da aplicação da lei penal e não da penalização

NCD 4:40 da tarde  

Bom com isto tudo esqueci-me de dizer o óbvio: é claro que eu votarei não. Se posso ser mais explícito, eu concordo com a actual lei (com dúvidas no que se refere aos abortos eugénicos).

NCD 12:52 da tarde  

"e não nos enganemos: não vai haver liberdade de decisão por parte da mulher tal como ela é apregoada. no ano passado eu estudei na faculdade esta mesma proposta de lei, e haverá sempre uma comissão que vai avaliar se a mulher quer mesmo abortar, ou seja, vão criar se burocracias à volta disto e o parecer da dita comissão pode ser mais forte que o «eu quero» da mulher."

Fiquei desde ontem a pensar neste parágrafo. Não quero acreditar que seja assim. Como se sabe, não considero que o aborto seja um direito nem uma opção da mulher. Mas se o fosse, se quiséssemos achar que sim, como é que se percebe essa "colectivização" desse "direito" que o obriga a passar pelo crivo de uma "comissão"? É por opção da mulher ou da Comissão? Confesso que tenho um certo horror a "direitos" exercidos por autorização de comités, comissões ou sovietes. Se calhar é por andar a ler um livro sobre a China Maoista (A Cor da Felicidade, Wei Wei, bookring da Limam5)

Flor 1:58 da tarde  

Só um esclarecimento ncd, eu nunca disse que defendia o celibato :-P

NCD 2:39 da tarde  

Ó Flor, nem eu disse isso de ti!
O que disse é que em matéria de contracepção não se assume que os métodos têm riscos e que se deve assumir esse risco - e a responsabilidade de o termos assumido. BEM informados, que cada faça o que quiser. O que me preocupa é a desinformação. Que se fale da pílula como se fosse 100% (ou 99%) segura quando não conheço nenhum caso em que a toma não tenha falhas, que se fale do preservativo como se fosse seguro - até lhe chamam sexo seguro, não é? - quando se sabe que ele é falível.
Não é uma questão de defender o celibato - isso é uma opção individual, que cada um fará com o apoio que procurar - é uma questão de defender uma informação límpida, isenta erros - como a que tu deste.

Mishka 2:43 da tarde  

Só mais uma acha para a fogueira...
Eu conheço uma dessas "coisas que vão a Espanha" que ainda hoje chora a morte de um filho por nascer, chora a mentira que teve que dizer ao homem que ama tudo porque um certo ex-marido muito relutante na parte do "ex" lhe disse duas palavrinhas:
"EU MATO-TE!"
E ela sabe que ele o faria...
E ela sabe que não há ninguém que a possa proteger, nem namorado, nem polícia, nem estado, nem pró-vida. Ninguém...
Lamento mas a vida não é preto no branco. Quem dera que fosse.
Eu voto sim ao direito de escolher.

fantasma 6:26 da tarde  

mishka, só para dizer que quando falei nas "coisas", são as mulheres que lá vão constantemente, que fazem do aborto o método contraceptivo. De resto só vão a Espanha porque não têm opção cá.
Era só para esclarecer :)

sophia 8:22 da tarde  

ncd: não percebi exactamente o que estavas a dizer acerca do direito penal, mas sim, quando falo do aborto falo de qualquer outro crime, e quanto aos limites de velocidade... sim, acho que o limite maximo devia ser aumentado. ;)

quanto à tal comissão de avaliação, estou como tu, também me dá a volta ao estômago. ou é opção da mulher ou de qq outra pessoa, em qq utro assunto), ou não é, não tem nada de haver comissões com poder de dar pareceres vinculativos. no ano passado, em maio, ainda estava para se saber (isto dito por um dos legisladores do código penal, é aflitivo de ouvir) se a dita comissão iria apenas garantir que a mulher estava esclarecida, ou se iria mais longe. a tendencia era para esta ultima hipotese, esper que tenha mudado entretanto.

porque falo nas 12 semanas? não tem nenhuma base científica. apenas considero que 2 meses e meio de gravidez, nos casos em que o aborto pode ser "útil" (vá, pessoal, tá entre aspas, não me crucifiquem já. entendam como os casos em que nós, que vamos votar sim, consideramos er bom estarem abrangidos pela despenalização), é um prazo insuficiente.

sobre a mulher "da witchie" - sim, é violação, sem dúvida, e em caso de violação o aborto é permitido com a lei actual. e o melhor é essa mulher conseguir ir fazer a queixa-crime contra marido. mas normalmente não consegue.

eu sou contra o aborto. mas a favor da liberdade de escolha...

sophia 8:26 da tarde  

fantasma, resumindo e modernizando a linguagem da parabola, é mais ou menos isto:

alguns homens do tempo de Jesus levaram ate Ele uma mulher adúltera, e iam apedrejá la, consoante os costumes da atura. não me recordo se queriam que fosse Ele a começar o apedrejamento ou não, mas recordo que era uma das muitas tentativas de fazer Jesus cair em contradição e descrédito perante o povo. no entanto, Jesus disse «quem nunca pecou que atire a primeira pedra» e, um por um, os homens começaram a ir embra, até que a mulher e Jesus ficaram soznhos. diz Jesus: «se ninguém te condenou, também eu não te condeno. vai, e não voltes a pecar»

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